segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

POEMAS DO DESESPERO - ALMA EM PEDAÇOS






O mais lancinante pesar
Se apoderou do meu ser.
Que a morte, se ela chegar
Queime o que há por arder



Quebrados os nossos laços
Da minha, tua alma voou.
E a minha, em mil pedaços
Foi ao fundo, naufragou.

Nada resta, tu partiste
Minhas asas estão caídas.
Da vida, já me despiste
Trajo dores nunca vestidas.

E minha alma apavorada
Pede auxílio a protectores.
De tão batida, flagelada
Assim cheia, de temores.

Esquecida por seu amor
Saudosa de tempos passados.
Mergulhada em sua dor
Lança apelos desesperados.

Perdida, procura a saída
Já do mundo se retirou.
Não há rumo para a vida
Se alguma vida sobrou.

E minha alma padecida
Vazia, seca, gelada.
Na inércia jaz, perdida
Num lodaçal atolada.

E observa, indiferente
E tão pouco se interroga.
Se quem passa à sua frente
Também, em dores se afoga.

E nem isso lhe interessa
Nem lhe causa qualquer dano.
Assim parada, sem pressa
Só espera que caia o pano.

domingo, 20 de janeiro de 2013

POESIA DO DESESPERO - É OUTONO








É Outono, a desfolhada,
Folhas soltas cobrem o chão.
São cartas para a minha amada,
Lamentos de solidão.

Arrastadas pelos ventos,
Não encontram coração.
Dispersos os meus lamentos,
Minhas páginas de emoção.

Pelas lágrimas derramadas,
Palavras defeituosas.
São cartas desbaratadas,
Não são versos, não são prosas.

São apelos, sem endereço,
Que, em tempos, o perdi.
É por amor o que padeço,
É a solidão que aprendi.

Nuvens negras a entornarem,
Em chuva, os meus tormentos.
São bátegas a magoarem,
É Outono, dias cinzentos.



*VERSOS, DA INFÂNCIA DA ESCRITA, REVISTOS E REPUBLICADOS.