terça-feira, 17 de agosto de 2010

POEMAS DO DESESPERO - A MALDADE HUMANA







Mas que lindo coelhinho
Ao lado de sua mãe
Vira para mim o focinho
Que bonitos olhos tem

Como o pelo  é fofinho
Apetece até tocar
Aproxima-se com um saltinho
E minha mão vem beijar

Mas não é por submissão
É só por curiosidade
Encanta-me a sua expressão
Nasceu ali amizade

Tem boca, olhos, nariz
Para ver, comer, respirar
O que pensa de mim não o diz
Porque não consegue falar

Não faz mal a ninguém
Só queria viver sossegado
Tem o direito que o Homem tem
De ter presente, futuro e passado

Será que no Acto da Criação
E nem interessa quem o criou
Que este ser vivo , com coração
Para servir de alvo , o idealizou ?

Se para ser despedaçado
E se fosse essa a intenção
Nasceria com um alvo gravado
Não fugiria da destruição ?

Se foge é porque quer viver
É o instinto de conservação
Defende-se, só a correr
Contra armas em evolução

A luta é tão desigual
As armas são tão diferentes
Com as patas , o animal
O outro, com a escória das mentes

Usando argumentos mil
Apelidando-me de fundamentalista
E sou eu que sou o  vil ?
Afinal quem é o terrorista ?

Que sempre se caçava
E que é uma tradição
Antes a lança bastava
Hoje, usa-se até o canhão

E que dizer da inquisição
Para não falar da escravatura
Também foram tradição
Eram crueldade pura e dura

Matar ou fazer sofrer
Como provoca emoção ?
Dizem, é só para entreter
Aos instintos dão satisfação

Quem para os animais é cruel
E que desporto àquilo chama
Tem a maldade à flor da pele
Como há alguém que os ama ?

Argumentam que outros animais
Que caçam para sobreviver
Eles que são irracionais
Não se divertem , a fazer sofrer

Como chamar àquilo gente
Divertem-se com a destruição
A compaixão têm ausente
Semeiam a devastação

Rasgam-se caminhos e estradas
Incendeia-se a floresta
No pouco espaço que resta
Chacinas autorizadas

Coelhinho que só já existes
Na pança de um desalmado
Devoraram-te, os tristes
Na retrete serás defecado

Terias um tempo de vida
Para viver foste criado
Nem houve despedida
Em merda estás transformado

E a tua mãe , destroçada
Como ficou a sofrer
Procura por ti , desesperada
Como outra mãe qualquer

Que amargura sinto em mim
De tal destreza eras dotado
É uma tristeza sem fim
Tudo o que mexe, é devorado